sexta-feira, 4 de março de 2016

QUARTA CAMADA – DECEPÇÃO – PARTE 2

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Creio que o que se passou após aquele terrível encontro não foi nada perto das coisas que me esperavam mais a frente… eu pediria para que você faça mentalmente uma lista com os nomes das pessoas que você mais confia… talvez tenha muitas pessoas, talvez nem tanto… agora… retire da sua lista 99% e me diga quem ficou? Aquele momento não apenas partiu meu coração, ele perfurou toda a minha alma e me deixou desnorteado ao notar como as pessoas não enxergam a verdade e se enveredam nos seus próprios infernos. A pessoa em quem eu mais confiava em toda a minha vida, seria como um veneno para mim… ela tentaria me destruir simplesmente porque eu sabia demais…

domingo, 28 de fevereiro de 2016

QUARTA CAMADA – DECEPÇÃO – PARTE 1

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O barulho agudo do freio ao parar o ônibus foi como que uma volta ao passado, desde que minha vida foi simplesmente roubada e transformada eu jamais ouvira aquele som irritante e nostálgico novamente, todo o meu passado passou em questão de segundos na minha cabeça. Lá dentro algumas poucas luzes piscavam como que prontas para queimar a qualquer instante, o clima de silêncio, pessoas dormindo pelos bancos enquanto poucas conversavam. A catraca emperrou quando tentei passar por ela e tive de fazer força para atravessar o que causou mais barulho, dessa vez pude ouvir murmúrios sobre mim. Um pouco desajeitado fui cambaleando corredor afora até encontrar um lugar pra sentar.

Estava ainda pensando em tudo que aquele anjo dissera, sobre algum tipo de missão que haveria de completar, algo que possivelmente roubaria minhas forças. Quando um homem já de idade avançada sentado no fundo do ônibus começou a falar como que por loucura.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

QUARTA CAMADA – DESTROÇOS PELO CAMINHO 2

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É estranho voltar a um local anos depois, aquela sensação de que muita coisa mudou e você ficou para trás. Toda vez que o vento toca seu rosto algo em você o puxa de volta, dez ou quinze anos atrás... o coração sente um vazio fora do comum e mesmo um local animador se torna uma prisão onde espíritos do passado circulam fazendo você se sentir velho e mal… era assim que eu me sentia naquele momento. Assentado na metade de uma ponte que dividia dois municípios, agora despedaçada e eu nem sabia o que havia acontecido. Não havia visões, não havia Aion, não ainda. Sentia como se estivesse morto e meu espírito preso em algum local daquela ponte, mas não sabia explicar naquele momento. Ao me levantar toda aquela sensação começou a se multiplicar, estava com saudades daquela neblina, daquele visual borrado segundos antes de visualizar o que havia atrás desta fina e frágil camada chamada realidade. Me levantei para ver o que estava acontecendo e pude notar um antigo navio passando no escuro mar abaixo de mim. Foi então que aquela estranha sensação voltou a tocar meu espírito, não estava mais sozinho naquela noite…

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

LEMBRANÇAS DO FUTURO - A ENTRADA DA MONTANHA

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“Finalmente chegamos ao pico da montanha. Estávamos cansados, estava escuro e frio naquela noite. A luz da lua não clareava nada em nossa frente e ficávamos apenas com o sinal esverdeado dos visores que usávamos. No topo podíamos ver uma luz amarelada, piscava como se fosse queimar a qualquer momento pendurada numa entrada de uma caverna aparentemente abandonada, exceto pelo fato de ainda ter uma lâmpada acesa… Olhei para K32 e fizemos sinal de que era seguro entrar e dar uma olhada, era possível que ali estivesse escondido o laboratório do doutor Juarez. Demos um ou dois passos em direção à entrada e como que do nada um homem, ou androide não sei, salta de dentro da caverna e para a menos de três metros de nós dois.

Usava um capacete preto como parte da sua armadura e a viseira possuía um circulo roxo brilhante no centro. Da nuca dele podíamos ver os cabos de conexão descendo e entrando nas suas costas. Uma ombreira em forma de escamas descia do ombro para o cotovelo. Portava duas espadas, catanas pelo formato, estavam embainhadas no lado direito e usava roupas de samurai por baixo. Estávamos parados sem saber exatamente o que fazer e quando pensamos que ele diria alguma coisa se posicionou para nos atacar. K32 arrancou uma pistola que sempre carregava e se preparou para o pior.